Você conhece alguém no seu entorno que escreva? Talvez a forma que mais comumente associamos a uma escrita terapêutica seja um diário. No entanto, o recurso da escrita é bem mais amplo do que imaginamos. Nem toda escrita terapêutica é assim, introspectiva e voltada a falar sobre sentimentos.
Um diário, anotações sobre tarefas em a ver, cartas, mensagens em redes sociais… Existem vários meios de escrever que podem ser recursos psicológicos. Muitas vezes, escrever pode ser uma estratégia de organizar os pensamentos para uma tomada de decisão, por exemplo. Pode ser também uma forma de lembrar das tarefas do dia a dia. Pode, ainda, ser uma forma de comunicar aquilo que não conseguimos elaborar através da fala.
Existe um exercício muito utilizado por psicoterapeutas: a balança decisória. Basicamente, na balança decisória estão 4 quadros divididos em “vantagens de fazer algo/desvantagens de fazer algo” e “vantagens de não fazer algo/desvantagens de não fazer algo”. Ficou confuso? Vamos usar um exemplo prático: quais são as vantagens de mudar seus hábitos alimentares? Quais são as desvantagens? Quais são as vantagens de não mudar de hábitos? E as desvantagens?
Parece apenas uma mesma pergunta escrita de diferentes maneiras, não é? Mas você pode se surpreender ao realizar o exercício.
Recentemente, em um grupo terapêutico para migrantes, pedimos para que cada participante escrevesse um pequeno conto sobre sua migração. O efeito foi extraordinário, já que ao transportar para o texto uma história vivida precisamos lembrar das cores, dos sons, daquilo que sentimos naquele instante. Em meio a esse exercício de (re)contar, podemos construir novos significados ou reencontrar-nos com questões que, até então, não haviam sido compartilhadas.
A escrita como ferramenta terapêutica possui uma importante função, pois auxilia na ativação de diferentes processos psicológicos que, ao simplesmente falarmos em uma sessão, talvez não consigamos alcançar.
Por isso, complementarmente às sessões de psicoterapia, muitos psicólogos e psicólogas utilizam o recurso da escrita. E você? Costuma anotar seus pensamentos?
